sexta-feira, 13 de junho de 2008
domingo, 4 de maio de 2008
cartas de amor são
Ridículas.
Não seriam cartas de amor se não fossem
Ridículas.
.Também escrevi em meu tempo cartas de amor,
Como as outras,
Ridículas.
.As cartas de amor, se há amor,
Têm de ser
Ridículas.
.Mas, afinal,
Só as criaturas que nunca escreveram
Cartas de amor
É que são
Ridículas.
.Quem me dera no tempo em que escrevia
Sem dar por isso
Cartas de amor
Ridículas.
.A verdade é que hoje
As minhas memórias
Dessas cartas de amor
É que são
Ridículas.
.(Todas as palavras esdrúxulas,
Como os sentimentos esdrúxulos,
São naturalmente
Ridículas.).
Álvaro de Campos, 21-10-1935
Ridículas.
Não seriam cartas de amor se não fossem
Ridículas.
.Também escrevi em meu tempo cartas de amor,
Como as outras,
Ridículas.
.As cartas de amor, se há amor,
Têm de ser
Ridículas.
.Mas, afinal,
Só as criaturas que nunca escreveram
Cartas de amor
É que são
Ridículas.
.Quem me dera no tempo em que escrevia
Sem dar por isso
Cartas de amor
Ridículas.
.A verdade é que hoje
As minhas memórias
Dessas cartas de amor
É que são
Ridículas.
.(Todas as palavras esdrúxulas,
Como os sentimentos esdrúxulos,
São naturalmente
Ridículas.).
Álvaro de Campos, 21-10-1935
SER POETA
Ser poeta é ser mais alto, é ser maior
Do que os homens! Morder como quem beija!
É ser mendigo e dar como quem seja
Rei do Reino de Áquem e de Além Dor!
É ter de mil desejos o esplendor
E não saber sequer que se deseja!
É ter cá dentro um astro que flameja,
É ter garras e asas de condor!
É ter fome, é ter sede de Infinito!
Por elmo, as manhas de oiro e de cetim...
É condensar o mundo num só grito!
E é amar-te, assim, perdidamente...
É seres alma, e sangue, e vida em mim
E dize-lo cantando a toda a gente!
Do que os homens! Morder como quem beija!
É ser mendigo e dar como quem seja
Rei do Reino de Áquem e de Além Dor!
É ter de mil desejos o esplendor
E não saber sequer que se deseja!
É ter cá dentro um astro que flameja,
É ter garras e asas de condor!
É ter fome, é ter sede de Infinito!
Por elmo, as manhas de oiro e de cetim...
É condensar o mundo num só grito!
E é amar-te, assim, perdidamente...
É seres alma, e sangue, e vida em mim
E dize-lo cantando a toda a gente!
Florbela Espanca (1894-1930)
domingo, 23 de março de 2008
sábado, 8 de março de 2008
Escrito na Pedra
"Estamos mais ligados
ao invisível do que
ao visível."
Novalis, poeta alemão
(1772-1801)
Público 08-03-2008
ao invisível do que
ao visível."
Novalis, poeta alemão
(1772-1801)
Público 08-03-2008
sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008
quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008
segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008
A Crucificação

Nesta cena da Crucificação, Cristo está parcialmente tapado por um dos ladrões e por Maria Madalena, que se encontra junto à base da cruz, obrigando-nos a concentrarmo-nos em alternativa, na sinistra natureza-morta com garrafas de vinagre, martelo e pregos, em primeiro plano. Esta focagem da atenção noutros elementos que não Cristo foi considerada radical na época em questão, provocando uma forte reacção da igreja. A obra foi também vista como uma critica implícita ao regime de Mussolini, na Itália. Trata-se de um quadro típico dos realistas socialistas, um grupo de artistas que procuravam criar uma arte política que fosse simultaneamente moderna e acessível ao comum das pessoas. Guttuso foi líder do movimento e na sua obra combinou aspectos do Cubismo, tais como o esquema de cor não naturalista e a distorção da anatomia, com um realismo descritivo. Em finais dos anos 30 e inícios dos anos 40 foi membro do Partido Comunista, que era clandestino na Itália fascista.
Gleizes, Howson, Nitsch, Picasso, Rego
Renato Guttuso. n Bagheria (ITA), 1912. m Roma (ITA), 1987.
A Crucificação. 1941. Óleo sobre tela. alt200xlarg200 cm. Galleria Nazionale d'Arte Moderna e Contemporânea, Roma
O LIVRO DA ARTE SÉCULO XX
Texto Editora
quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008
Auto-retrato com Modelo

Neste estudo sobre a vaidade decadente, o artista pinta o seu auto-retrato, olhando fixamente para ele próprio, ao mesmo tempo que uma mulher nua se deita de forma provocadora atrás dele, fisicamente perto mas emocionalmente distante. Ele veste uma camisa transparente cosida no peito e que se assemelha à pele e a mulher tem uma destoante cicatriz na face. Por trás dela ergue-se uma flor fálica-simbólico Narciso- e ao fundo podemos vislumbrar os telhados da horrível cidade industrial.
Schad lidou muitas vezes com este tipo de temas de intensidade psicológica, transmitindo uma frieza sinistra através de um estilo realista e imparcial. Schad fazia parte de uma tendência na Alemanha do pós-guerra denominada Neue Sachlichkeit que rejeitava a abstracção a favor de um realismo estilizado, pretendendo captar a alienação da vida moderna através de um estilo linear que retrocedia até aos artistas dadaístas no princípio da sua carreira, fazendo experiências com os inovadores processos fotográficos.
Dix, Grosz, De Lempicka, Spencer
Christian Schad. n Miesbach (ALE), 1894. m Keilberg (ALE),1982.
Auto-retrato com Modelo. 1927. Óleo sobre madeira. alt76xlarg61.5 cm. Colecção particular
O LIVRO DA ARTE SÉCULO XX
TEXTO EDITORA
quarta-feira, 30 de janeiro de 2008
terça-feira, 29 de janeiro de 2008
A Condição Humana

Um quadro de uma paisagem foi colocado num tripé, frente a uma janela. O tema é exactamente igual ao exterior, criando uma confusão entre o representação e o original. Através desta obra Magritte questiona a distinção entre ilusão e realidade. O estilo meticuloso e frio, derivado do mundo da publicidade e da ilustração, acrescenta uma convicção próxima da de um documentário a esta estranha imagem, desafiando as nossas certezas visuais. O carácter ilusionístico e a atmosfera de sonho são próprios da sua versão individual do Surrealismo.
Magritte tornou-se um dos líderes deste movimento depois de ter abandonado a Bélgica, em 1927, para se instalar em Paris, onde permaneceu durante três anos. As suas obras são frequentemente enigmáticas, jogando com a ambiguidade e a verdade visual. Acerca da sua própria obra, afirmou:
«As pessoas que procuram significados simbólicos não conseguem captar a poesia e o mistério da imagem...As imagens têm de ser vistas tal como são.».
1933. Óleo sobre tela. alt100xlarg81cm. National Gallery of Art, Washington. dc
Magritte René
O livro da Arte
Século xx
Texto Editora
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